Como utilizar o câmbio automático corretamente

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O câmbio automático era algo complicado e despertava curiosidade de muito motorista. O componente foi disseminado e passou a ser objeto de desejo de muitos condutores – prova disso é que a procura por modelos com este tipo de transmissão aumentou 30% em apenas um ano, de acordo com levantamento do Índice Webmotors. No entanto, a pergunta que fica é: você sabe utilizar este equipamento corretamente?

Alguns cuidados devem ser tomados para que o funcionamento não seja prejudicado e, mais do que isso, o câmbio não seja danificado. Uma atitude comum que deve ser evitada é o engate direto da posição ‘D’ (Drive) para a ‘P’ (Parking) quando o veículo for estacionado. O ideal é primeiro colocar a alavanca no ‘N’ (Neutro), acionar o freio de estacionamento e só em seguida posicionar em ‘P’. Isso evita sobrecarga no sistema de transmissão, segundo o CESVI (Centro de Experimentação e Segurança Viária).

Outro comportamento que deve ser evitado é mudar a posição da manopla com o carro em movimento. É muito comum, por exemplo, o motorista engatar ‘R’ (Marcha Ré) rapidamente para realizar uma baliza. Tal comportamento pode, com o tempo, causar danos ao sistema. Por isso, o ideal é parar totalmente o veículo e então alterar os engates.

Também é comum os condutores acionarem o engate neutro em descidas íngremes. Esta atitude deve ser evitada não só quando o carro é automático, mas também quando tem transmissão manual. De acordo com o CESVI, esta prática sobrecarrega o sistema de freio, provocando o desgaste excessivo dos componentes, e o câmbio passa a funcionar com menos lubrificação. Neste cenário, o correto é reduzir uma marcha. Alguns veículos têm atrás do volante o paddle shifts atrás do volante, também chamados de ‘borboletas’, que permitem por meio de toques nas aletas descer marchas para utilizar o freio motor.

Uma curiosidade que muitos têm é sobre a posição ‘L’ (Low). Ao selecionar esta posição, o câmbio fica travado na primeira marcha. É muito útil também para declives mais acentuados, em que o freio motor é fundamental para não sobrecarregar o sistema de freios. Também pode ser utilizada em aclives fortes.

Importante destacar que o câmbio automático, independente do tipo ou de quantas marchas tem, foi desenvolvido para deixar o carro pronto para andar a um toque no acelerador, sem que tenha que tocar na alavanca. Por conta disso, não é necessário colocar na posição ‘N’ em que parar o veículo em um semáforo, por exemplo. “É algo completamente desnecessário. A única atenção que o condutor deve ter é com relação ao auxiliar de partida. Alguns modelos têm este recurso, que acaba segurando o carro antes de o motorista acelerar – recurso extremamente útil em subidas, pois evita que o carro desçam -, mas outros não têm, o que faz com que o carro se mova para frente assim que se tira o pé do freio”, alerta Paulo Roberto Garbossa, consultor técnico.

Um alento importante para os motoristas é que cada vez mais os câmbios estão modernos, com mais sistemas eletrônicos incorporados para corrigir eventuais erros e minimizar o desgaste dos componentes. “A mudança de marcha acontece automaticamente, por exemplo, se o motorista está utilizando os paddle shifts e esquece de fazer a troca, jogando a rotação lá em cima. Quando a rotação está elevada e o motorista quer fazer uma redução, a eletrônica entende que não é possível e simplesmente não executa a operação, preservando todo o conjunto”, explica o especialista.

Manutenção

Assim como as transmissões manuais, as automáticas precisam de manutenções periódicas. E o primeiro passo para ter um câmbio extremamente ‘saudável’ e funcional, que não provoque dores de cabeça e prejuízos financeiros, é muito simples: ler o manual do proprietário. “Cada câmbio tem um sistema diferente. Pode ser CVT (continuamente variável), ter quatro, cinco, seis, dez marchas. Pode ter conversor de torque, uma embreagem ou dupla embreagem”, lembra Garbossa, ressaltando a importância da particularidade de cada sistema. “A pessoa pode ter tido um carro automático por 20 anos. Se ela comprou um novo, de uma fabricante diferente, precisa ler o manual, pois o que serve para a manutenção de um modelo, pode não servir para outro”, completa.

Para veículos dentro da garantia, a sugestão é sempre levar em uma concessionária da marca para as revisões periódicas ou para eventuais manutenções não programadas. Para Garbossa, vale a pena pagar um pouco a mais para ter especialista analisando o veículo e, em caso de nova complicação ou não solução do problema, contar com o respaldo de ter realizado o serviço em uma autorizada.

Com relação a carros usados, que já tiveram a garantia expirada, o conselho é o mesmo: procurar as concessionário no que se refere a manutenção por conta da qualidade do serviço. No entanto, caso o orçamento esteja curto, procure um mecânico de confiança e não fique seduzido por preços atraentes. “Problemas com transmissões automáticas é sempre muito custoso do ponto de vista financeiro”, reconhece o especialista. Se tiver que trocar o câmbio inteiro, o prejuízo será muito maior.

Antes de travar completamente, uma transmissão automática apresenta sinais de que não está bem. Segundo Garbossa, as alterações mais comuns no funcionamento do sistema, que podem ser um alerta de que a ‘saúde está indo para o vinagre’, são solavancos muito fortes, acima do normal, nas trocas e quando o motor pede uma marcha maior, mas o sistema demora para executar a mudança. Dificuldades na movimentação da alavanca, tirando do ‘P’ levando para o ‘D’, por exemplo, também pode ser um mau presságio.

Compra

Para comprar um carro usado é necessário muita atenção – nós do WM1 não cansamos de bater nesta tecla, mas quando o modelo é automático e com uma quilometragem elevada, o cuidado deve ser ainda maior. “Leve um mecânico de confiança para que ele possa fazer uma análise completa da transmissão. Estando tudo ‘ok’, passe a fazer revisões periódicas mais curtas para reduzir ao máximo eventuais problemas”, sugere o consultor técnico.

Via WM1