Vidal França apresenta Show Musical na Casa dos Cordéis

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Imagem Divulgação

José Calixto de Souza, ou simplesmente Vidal França. Esse baiano de 59 anos, fala mansa, nascido na cidade de Aporá, tem toda uma história na música brasileira. Oriundo de uma família de músicos e, coincidentemente, dos nove irmãos, só ele seguiu nessa área. “O meu mundo é a música”, disse França, que até tentou trabalhar com algo diferente, mas desde os seus 14 anos, viveu literalmente de música.

França chegou em São Paulo no ano de 1953, e foi morar com a família no Parque São Lucas, bairro que, segundo ele, tem uma ligação muito forte com a sua vida. O músico sempre foi autodidata, ou seja, nunca precisou ir a uma escola de música para aprender a tocar. Logo aos cinco anos, ele já dedilhava seu violão, e começava aí uma longa história, principalmente com os instrumentos de corda (violão e viola).

França lembra com carinho do tempo em que trabalhava como balconista numa loja de tecidos. Sempre que tinha um tempo vago ia ao banheiro para estudar partituras de músicas, porém demorava mais que o normal. A patroa um dia lhe disse para que não trabalhasse mais, e vivesse só de música. “Aquilo para mim foi um presente”, afirmou França.

Aos 14 anos, formou o Trio Anakan, juntamente com um tio e um amigo do próprio bairro, e disputou o primeiro programa de calouros de sua vida. O nome do programa era “Cuidado com a Buzina” e era comandado por Silvio Santos. “Eu estava indo para casa, e por acaso ouvi a chamada do nosso grupo em um rádio da vizinha”, afirmou França, sobre como ficou sabendo que o seu trio iria tocar no próximo final de semana naquele programa.

A partir daí, França e seu trio começaram a ficar conhecidos e aos poucos foram sendo convidados para shows, apresentações em programas de tv, etc. Mas ele nunca deixava de estudar música sempre que lhe sobrava algum tempo. Tanto que formou-se no curso superior em música, e teve como grande mestre o maestro João Toledo.
Um trabalho que marcou muito o músico foi a participação no teatro para a peça musical “Marta Saré”, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri. França musicou e orquestrou a peça, que contou com a reinauguração do Teatro São Pedro na região central de São Paulo. O trabalho contava com a presença de atores renomados, Fernanda Montenegro, Beatriz Segal, Antonio Fagundes, dentre outros.

“Quando ouvia as músicas do Demônios da Garoa no rádio, eu corria para perto do aparelho”, disse França. Na ocasião, o músico, também fez questão de falar de sua amizade com Rolando Boldrin, a quem conheceu na década de 70, quando ele ainda era ator. França está adorando o novo programa de Boldrin na TV Cultura.
No cinema, o músico foi responsável pela parte musical de várias obras. Diretores como: Jorge Jonas, André Palluch, Ozualdo Candeias, José Mogica Marins, o “Zé do Caixão”, contaram com o trabalho de França. Além disso, ele musicou aulas de língua portuguesa para a TV Cultura, textos gramaticais no projeto “Mobral” dirigido por Walter George Durst.

Daí em diante, ele já apresentava-se sozinho e não mais em trios. Recebia diversos convites para tocar na noite, e começou a cativar o público, de modo que, quando ele iria fazer a abertura de um show principal, o pessoal chegava mais cedo só para ver França tocar.

Nessa época, ele já tinha uma marca registrada em suas apresentações, o chapéu de vaqueiro. Em todo lugar que França toca, fazia questão de levar o chapéu. Quando algum contratante exigia que ele tirasse o acessório, o músico recusava-se a tocar. De acordo com ele, aquilo era para valorizar o regionalismo e a cultura brasileira. Já visualizava uma apresentação no exterior. Ao ver o chapéu, as pessoas iriam associar aquela imagem com o Brasil.

Em uma dessas apresentações na noite, França conheceu Newton César, famoso cantor da Jovem Guarda, que fazia muito sucesso na época com suas músicas românticas. César então o convidou para tocar em uma bela boate na Rua Augusta. “Lá pode usar o chapéu, se não puder eu não vou”, disse França.

O músico fez tanto sucesso nessa boate, que o empresário de César o convidou para uma turnê de shows fora do Brasil. França no início ficou um pouco assustado, mas depois aceitou. Tocou com Newton César e sua equipe de músicos em Ángola, Moçambique, Portugal, Canadá e Estados Unidos por aproximadamente quatro meses. Foi um sucesso.
No Brasil, participou de vários festivais de MPB. No ano de 1979 esteve no Festival da Rede Tupi com a musica “Facho de Fogo”. O evento teve participação de vários músicos como: Alceu Valença, Zé Ramalho, Fagner, Amelinha, Almir Sáter e Domiguinhos.

O Músico demonstra muita alegria quando o assunto é família. França tem quatro filhas, sendo que uma delas, Karina França, 29 anos também já faz shows. Ele vive há aproximadamente 12 anos com sua companheira e cantora Mazé. “É um casamento social e artístico”, concluiu.

Outro trabalho que enche de orgulho França é ter composto, juntamente com o parceiro Juliano, os hinos das cidades de Itanhaem e Pederneiras. Além de orquestrar e gravar em disco essas obras.

Sobre a MPB, ele disse que o movimento não existe mais, se diluiu e enfraqueceu. França e outros músicos trabalham para o crescimento de um movimento chamado de MLB – Musica Literal Brasileira. “É um tipo de música que aborda o tema regional brasileiro. Fazemos música com conteúdo, tanto nas letras, quanto na melodia, além de termos preocupação com o comportamento social e ecológico do ser humano na sociedade”, disse.

Sobre a qualidade da música brasileira no momento, ele afirma que a mídia nacional tem outros compromissos “mais importantes”, pois não mostra o que é bom. Na sua opinião está claro que, dessa forma, quanto mais o povo estiver alienado, mais fácil ele será enganado. “A música para mim é uma missão, eu vivo para a música’, afirmou França. Ele fala que se transforma ao tocar, e que tem muita gente boa fazendo música no Brasil. Na sua opinião, mais cedo ou mais tarde essas pessoas irão surgir no cenário nacional, e isso o deixa feliz.

Mamberti – França lembra com alegria o período em que desenvolveu o “Projeto São Paulo Canta Brasil”, no Espaço Mamberti de Cultura. O projeto consistia em levar músicos de todo o Brasil para se apresentar no local. Estiveram presentes nomes como: Rubinho do Vale, Kátia Teixeira, Eliezer Teixeira, Nicanor Jacinto e o Grupo Folclórico Trivolim. Os músicos se apresentavam uma vez por semana, sempre às 21 hs, e o projeto estendeu-se de setembro de 2003 a fevereiro de 2004, sempre com grande presença de público.
Um dos poucos locais onde ainda se toca boa música, na opinião dele, é uma casa chamada “Feitiço de Áquila”, na Vila Madalena. França afirmou que lá toca tudo o que é bom na música.

No ano de 2002, em homenagem aos 50 anos de careira, França recebeu o titulo de Cidadão Paulistano na Câmara Municipal de São Paulo. No dia, foi homenageando por cerca de 300 pessoas, entre eles poetas, escritores e músicos.
Novo Projeto – França está desenvolvendo um projeto com Sérgio Bayron, que é Mestre em Comunicação e Professor universitário na USP e PUC.
Bayron convidou França para desenvolver uma “Opereta”, que é uma ópera em menor escala. O professor será o autor das letras e das melodias no trabalho, enquanto França fará as orquestrações.

“Esse é um trabalho para palco e CD, e o nosso objetivo é colocá-lo em cena no ano que vem”, concluiu França.

Serviço 

  • Data: 09 de setembro de 2012
  • Horário: às 16h00
  • Local: Casa dos Cordéis (Veja o endereço)
  • Valor:  entrada 10 reais