Aeroporto de Guarulhos vai ganhar scanner corporal

23
Google Imagens

Uso do aparelho em aeroportos dos Estados Unidos e do Reino Unido causou polêmica

Passageiros que embarcarem em quatro grandes aeroportos brasileiros podem ser selecionados, a partir deste mês, para passar pelo novo e polêmico aparelho de escaneamento corporal, o body scanner. O equipamento, que funcionará na área de embarque internacional de Guarulhos (SP), Galeão (Rio), Recife e Manaus, foi apresentado ontem pela Polícia Federal (PF). O objetivo é impedir o embarque de armas, explosivos ou drogas.

O uso do aparelho em aeroportos dos Estados Unidos e do Reino Unido levantou questionamentos sobre a invasão da intimidade dos passageiros, já que a máquina permite enxergar “sob as roupas” dos investigados. A PF esclareceu que a imagem – gerada a partir da radiação emitida pelo equipamento, como uma radiografia – só tem capacidade de mostrar ossos, órgãos, objetos e o contorno do corpo.

O superintendente da PF no Rio, Ângelo Gioia, admitiu que a técnica pode ser considerada invasiva, “mas no limite”.

— A legislação permite a busca pessoal quando há fundadas suspeitas de atividade ilícita. Esta técnica seria menos invasiva que outras já em vigor, mais constrangedoras —, afirmou, — Nunca há excesso quando se fala de segurança — completa.

Quando o scanner entrar em operação nos quatro aeroportos, suspeitos não deverão mais passar por revistas pessoais ou se despir durante os procedimentos de buscas. Se um passageiro despertar a desconfiança dos agentes durante os procedimentos de segurança tradicionais antes do embarque, ele será levado a um ambiente reservado e passará sob um portal – no mesmo formato dos detectores de metais – em um procedimento que dura cerca de sete segundos.

Como nas revistas tradicionais, mulheres só poderão ser acompanhadas por policiais do sexo feminino. Sem violação O uso do novo equipamento não pode ser considerado uma violação da intimidade, segundo o procurador-geral da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio (OAB-RJ), Ronaldo Cramer.

— A segurança do voo e do aeroporto é uma questão de interesse público, que supera a garantia da intimidade —, afirma.

Na visão dele, uma vez que substitui métodos tradicionais, como a revista por apalpamento e buscas que obrigam o suspeito a se despir, o equipamento pode ser avaliado como menos invasivo.

— Trata-se de uma medida menos constrangedora do que as que estão em vigor.

FONTE: Zero Hora