Paulista cria site de relacionamento para animais

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Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Por Lívia Machado

A dificuldade em achar uma parceira para Rum, o único macho dos quatro cachorros da raça Yorkshire da família, estimulou o engenheiro paulista Gustavo Bobrow a criar um site de “relacionamentos” para animais de estimação. Foi na demanda pessoal que o jovem de 27 anos notou um mercado possivelmente promissor. Em oito meses de funcionamento, a página CruzaPet (www.cruzapet.com.br), um “Tinder” (aplicativo de paquera) para bichos, já atraiu até donos de jabutis interessados em multiplicar a espécie.

No inicio de 2013, após três anos e meio trabalhando em um banco de investimentos, Bobrow decidiu se lançar no mercado como profissional autônomo. Aficionado por computador desde garoto, planejava ganhar dinheiro desenvolvendo aplicativos e softwares. “Saí do banco com uma metodologia. Queria resolver a vida de empresas com soluções na internet”, revela.

O CruzaPet nasceu como um projeto paralelo, com foco mais solidário do que empreendedor, segundo define seu criador. Ao notar a dificuldade em encontrar cachorros da mesma raça para cruzar, recorreu à internet. Sem resultado, quis arriscar e oferecer o serviço que buscava.

“A gente procurava, sempre perguntava no veterinário, parava na rua quando via um cachorro em potencial. Minha mãe já tinha decidido castrar. Fiz uma meta para tentar cruzar o Rum. Achei que teria um site para tentar cruzar cachorros na internet. E não tinha”, recorda.

Antes de lançar o CruzaPet, Gustavo criou uma página em que anunciava a futura oferta do serviço. Os interessados deixavam o contato para receber informações posteriormente. Também pagou por um espaço na busca do Google para atrair internautas que procurassem sobre o assunto. Em um mês, gerou uma lista com 300 animais.

Quando viu que a ideia teria retorno, desenhou o site e contratou um programador indiano, hoje sócio do negócio. Eles não têm ferramentas para saber quantos cruzamentos foram concluídos, mas conseguem mapear o número de mensagens trocadas entre os pretendentes. Desde julho, a página contabilizou 16 mil conversas entre os seis mil bichos cadastrados.

Só sexo?

Rum, o cachorro virgem que gerou a ideia, não deu muita sorte. A mãe de Gustavo tentou encontrar uma parceira pelo site, mas acabou optando por castrar o animal. ”Por incrível que pareça o meu eu não consegui cruzar. Minha mãe tem o ID (registro) número um do site. Ela é super exigente, procurou mas não encontrou o par ideal. Acabou castrando.”

Mas há quem comemore o aumento da prole, e envie ao site depoimentos da “história de amor”. No perfil da Golden Retriever Kiara, há melosas declarações sobre a consumação do encontro e o nascimento dos cinco filhotes.

Retornos

Para custear o projeto, Gustavo passou a cobrar uma taxa que varia de R$15 a R$80 e libera o chat entre os interessandos. É possível procurar parceiros sem custo, mas a comunicação entre os perfis só existe se uma das partes for pagante. “O valor depende da duração. Não faz sentido comprar mensalidade, tem planos temporários de 15 dias a seis meses, e paga uma vez só. Mais de 50% das pessoas conseguem achar um pretendente.“

O engenheiro afirma que sofreu algumas críticas logo que o site começou a funcionar. E lamenta a falta de entendimento de seu negócio. “Era um projeto paralelo, achei que seria benéfico. Me chamaram de irresponsável por estimular o cruzamento de animais. Acharam que eu estava estimulando o cruzamento para vender. Não é nada disso.“ Agora já menos ressentido com os e-mails negativos que recebeu, Gustavo planeja ampliar e importar o site.

“A ideia é contratar alguma estudante de veterinária para fazer um blog com informações do mundo animal, gerar conteúdo em cima do site e, quem sabe, levar para fora do Brasil.” Nos EUA ele já sabe que não tem. “Não achei nenhum bom, com mapeamento eficiente.”

Via G1