Novembro Negro: Marcha e atrações no Dia Nacional da Consciência Negra

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Novembro Negro comemora com marcha e atrações o Dia Nacional da Consciência Negra

A Prefeitura vai promover neste domingo (20) a marcha pela região central da cidade, vários shows, oficinas de artes e culturas, entre outras atividades preparadas para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra. Na data também é celebrado o aniversário da morte de Zumbi, principal líder do Quilombo dos Palmares. A exemplo do ano passado, quando cerca de 5 mil pessoas estiveram presentes na marcha, a expectativa dos organizadores é de que haja uma grande participação popular nesta edição.

As ações são gratuitas e fazem parte do Novembro Negro, uma iniciativa da Coordenadoria da Igualdade Racial (CIR). Principal atividade da programação, neste ano a marcha homenageará o ex-senador e artista plástico Abdias Nascimento, conhecido por organizar o 1º Congresso do Negro Brasileiro, em 1950. Outro grande destaque será o desfile de bonecos gigantes e a participação do professor da Universidade de São Paulo (USP), o antropólogo Kabenguele Munanga , 68 anos. Nascido no Congo, tem participação ativa na causa do negro brasileiro e é muito conhecido e respeitado no país.

Programação

A primeira atividade será iniciada às 8h30, com concentração na Praça dos Estudantes, no Centro, para a tradicional marcha, que percorrerá as ruas centrais da cidade e terminará no Adamastor Centro, com destaque para os bonecos gigantes. Os participantes poderão trocar um quilo de alimento não perecível (exceto farinha, sal e açúcar) por uma camiseta personalizada do evento. Todo material recolhido será destinado à Coordenadoria do Fundo Social de Solidariedade.

A partir das 13 horas, no Adamastor Centro (avenida Monteiro Lobato, 734, Macedo) acontece uma série de apresentações musicais, reunindo DJ Bonne Dee, Afoxé Mãe Dalva, Célia nascimento, Ciganos, Samba-Rock, Jongo, Mano Heitor, Lei Di Daí, grupo de capoeira Raízes da Arte Negra e o rapper Walmir Borges. Já o 2º Festival de Artes e Cultura Negra começa às 13h30, com exposições, oficinas de artesanato, penteado afro, samba-rock, dança, capoeira, terapias naturais entre outros. A programação completa do Novembro Negro pode ser conferida no site www.guarulhos.sp.gov.br.

Homenageados

O ativista Abdias do Nascimento, ex-deputado federal, senador, poeta, ator e líder da luta contra o racismo no Brasil faleceu no último dia 24 de maio, aos 97 anos. Premiadíssimo por diversas instituições internacionais, ele teve atuação importante como artista plástico, escritor e ativista, tanto no Brasil como no cenário mundial.

Abdias foi professor emérito da Universidade do Estado de Nova York e doutor honoris causa pelas universidades de Brasília, Federal e Estadual da Bahia, e Estadual do Rio de Janeiro, e Obafemi Awolowo da Nigéria. Hoje ele é reverenciado em função de sua defesa consistente, desde o século passado até hoje, dos direitos civis e humanos dos afrodescendentes no Brasil e no mundo.

Ruth de Souza – Rio de Janeiro (RJ) 1930/– Após intensa participação no Teatro Experimental do Negro ao lado de Abdias do Nascimento, Ruth de Souza protagonizou importantes peças de teatro no Rio de Janeiro e em São Paulo, em montagens de autores como Nelson Rodrigues e sob a direção de profissionais como Antunes Filho, entre outros. Com bolsa da Fundação Rockfeller, estudou cinema nos Estados Unidos, onde trabalhou como atriz e fez assistência de direção.

De volta ao Brasil, atuou em cerca de 40 filmes e em várias novelas de televisão, recebendo diversos prêmios da crítica. Entre os seus principais trabalhos estão Sinhá Moça, filme no qual concorreu ao prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza, em 1951, Assalto ao Trem Pagador, com direção de Roberto Farias, e Jubiabá, dirigido por Nelson Pereira dos Santos.

Mãe Menininha do Gantois – Salvador (BA), 1894 / 1986 – Maria Escolástica da Conceição Nazaré, conhecida como Mãe Menininha, foi a quarta Iyálorixá de uma longa linhagem de chefes do Terreiro do Gantois, em Salvador, fundado na metade do século 19 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré. Neta de africanos da tribo Kekeré, da Nigéria, escravizados no Brasil, Mãe Menininha foi escolhida ainda criança pelos santos do candomblé para chefiar o terreiro, que assumiu na década de 1920, após a morte de sua tia-avó, Mãe Pulchéria.

Admirada pela sabedoria, humildade e pulso firme, Mãe Menininha do Gantois foi responsável pela popularização do candomblé, conseguindo agregar pessoas de todas as religiões em seu terreiro, inclusive celebridades como Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Tom Jobim, Antônio Carlos Magalhães e Vinícius de Moraes, que só tomavam decisões importantes depois de consultá-la. Mãe Menininha do Gantois morreu de causas naturais, aos 92 anos de idade.

Milton Santos – Brotas de Macaúbas (BA), 1926 / São Paulo, 2001 – Aos 13 anos de idade, Milton Santos já dava aulas de matemática no Instituto Baiano de Ensino, onde estudava. Aos 15 passou a lecionar Geografia, aos 18 prestou vestibular para Direito em Salvador e, pouco tempo depois, foi aprovado num concurso público para professor catedátrico na cidade baiana de Ilheus. Quando estava com 32 anos, concluiu seu doutorado em Geografia, na Universidade de Strasburgo, na fronteira da França com a Alemanha.

Envolvido com atividades acadêmicas, jornalísticas e políticas de esquerda no Brasil, chegou a ser preso pelo regime militar, tendo de sair do pais. Ao longo dos 13 anos em que permaneceu exilado, lecionou em importantes universidades da França, do Canadá, dos Estados Unidos, da Venezuela e da Tanzânia. De volta ao Brasil, foi contratado em 1984 como professor titular da USP, onde permaneceu mesmo depois da aposentadoria. Por meio de seus estudos e dos vários livros que publicou, Milton Santos mudou a história da Geografia.

André Rebouças – Cachoeira (BA), 1838 / Funchal (Ilha da Madeira), 1898 – André Pinto Rebouças era um dos oito filhos de Antônio Pereira Rebouças, negro advogado autodidata, representante da Bahia na Câmara dos Deputados em diversas legislaturas e, por fim, conselheiro do Império. André formou-se em engenharia pela Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, chegando a servir na Guerra do Paraguai como engenheiro militar, além de desenvolver diversas obras e estudos pela modernização do Brasil.

Engajando-se na campanha abolicionista na década de 1880, André Rebouças defendeu nos jornais e junto aos políticos do Império um projeto de reforma agrária que integrasse os negros à economia do pós-abolição. Monarquista, amigo de D. Pedro II, deixou o país com a família real após a proclamação da República, em novembro de 1889. Oito anos depois, seu corpo foi encontrado na base de um penhasco próximo ao hotel em que vivia, na cidade portuguesa de Funchal, na Ilha da Madeira.

 

Fonte: Prefeitura